IRAC-BR discute resultados dos projetos de pesquisa realizados na safra 2015/2016

Entidade realizou pesquisa científica em dez unidades da federação e cinco espécies de insetos


Mosca-branca, lagarta-do-cartucho, helicoverpa, percevejo-marrom e falsa-medideira - o que esses insetos têm em comum? Além de causarem perdas expressivas ao agricultor seja pelo dano direto ou pela transmissão de viroses, existem indícios de que indivíduos resistentes aos inseticidas estejam sendo selecionados em algumas regiões do Brasil.


A resistência é um fenômeno populacional e, muitas vezes, localizado. Ela ocorre quando um grupo de indivíduos é submetido a um determinado agente, exercendo uma pressão de seleção, e parte desses indivíduos, devido a alguma característica, consegue sobreviver. Esses sobreviventes irão se reproduzir e transmitir aos seus descendentes a capacidade de sobreviver a esse agente de seleção e assim, geração após geração. Enquanto a pressão de seleção, ou seja, a exposição ao agente se mantiver, esses indivíduos menos sensíveis irão aumentar em número e em frequência na população. No entanto, se essa pressão for diminuída, a população pode voltar à situação original de maior suscetibilidade.


Este é um assunto crítico para a agricultura no mundo todo e especialmente no Brasil pois, diante da disponibilidade de áreas agricultáveis e clima favorável ao longo de todo o ano, as pragas encontram condições ideias para sobreviverem e se multiplicarem. Para complicar um pouco mais, muitas pragas podem atacar mais de uma planta hospedeira, fazendo necessário o manejo de maneira regional, considerando não só apenas uma propriedade ou cultivo, mas a região como um todo, afinal, as pragas não conhecem cercas nem porteiras.


No Brasil, um grupo de pesquisadores dedica-se a estudar o fenômeno da resistência desde 1997 e, mais que isso, a propor ações para evitar que ela se estabeleça. Trata-se do Comitê Brasileiro de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC-BR), constituído por profissionais de instituições públicas e privadas.


A base técnica para as ações do IRAC-BR é fornecida por projetos de pesquisa conduzidos por instituições independentes, como universidades e empresas prestadoras de serviço, nas principais regiões de produção agrícola. São realizados atualmente estudos com pragas de grandes culturas como soja, milho e algodão além de hortaliças como o tomate. Isso se justifica não só pela importância desses cultivos para o PIB brasileiro, mas também pelo fato de que muitas pragas a elas associadas podem também se disseminar e atacar outros cultivos, como frutas e ornamentais.


O IRAC-BR reuniu-se de 14 a 15 de julho de 2016, em assembleia, para apresentar e discutir os resultados dos projetos realizados na safra 2015/2016. Eles contemplaram cinco pragas (Quadro 1) e foram realizados utilizando populações oriundas de 40 municípios em dez unidades da federação (Mapa 1). As técnicas de bioensaio são padronizadas, o que permite a comparação de resultados de ano para ano.


Cada população foi testada quanto à sua susceptibilidade a diferentes ingredientes ativos registrados para controle da praga no Brasil e o número total de ativos testados variou de 5 a 12 por praga. Os resumos dos projetos estão disponíveis no site do IRAC-BR (www.irac-br.org.br).


Desta forma, o IRAC-BR é referência no Brasil na integração de instituições que compartilham um objetivo: o de preservar as tecnologias existentes para manejo de pragas, contribuindo assim para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Como desafios, o IRAC-BR identifica a necessidade de incluir novas espécies de pragas nos projetos, tais como o bicudo-do-algodoeiro, a cigarrinha em cana-de-açúcar, o bicho-mineiro no café e o percevejo-barriga-verde além da difusão das melhores técnicas de Manejo da Resistência de Insetos à Inseticidas e proteínas Bt.


[Quadro 1]

[Mapa 1]


Quem somos: O Comitê Brasileiro de Ação à Resistência de Inseticidas – IRAC-BR é uma associação dedicada ao fomento, à pesquisa e ao desenvolvimento de trabalhos com produtos fitossanitários e plantas geneticamente modificadas (OGMs) visando o aumento da vida útil/efetividade dos inseticidas, acaricidas e OGMs por meio da minimização dos problemas de resistência. Além de oferecer informações e ser um órgão consultivo para os problemas técnico-científicos relacionados à resistência de inseticidas, acaricidas e OGMs no Brasil, estabelece e promove relacionamento com pesquisadores da indústria, no campo da resistência de inseticidas, acaricidas e OGMs, por meio de seminários, conferências, projetos de pesquisa etc. de forma conjunta. Por fim, tem por missão coordenar e, assim, fazer mais efetivos os esforços da indústria para prolongar a vida dos inseticidas, acaricidas e OGMs face à resistência, por meio das definições e recomendações de estratégias técnicas apropriadas.



Por:

Regina Sugayama


Revisão:

Fábio Andrade, Daniela Okuma, Greice Erler, Luis Pavan


Foto:

Regina Sugayama


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