Publicação1.png

Mariposa oriental
Grapholita molesta

A mariposa oriental, Grapholita molesta (Lepidoptera: Tortricidae) é um inseto-praga com elevada importância na região sul do Brasil devido aos danos significativos causados, principalmente, nas culturas da macieira e pessegueiro. As lagartas, ao se alimentarem, provocam a abertura de galerias no interior dos frutos ou nas brotações (ponteiros) das plantas. Os danos nos frutos inviabilizam a comercialização, podendo resultar em perdas de até 5% da produção anual de maçãs. Enquanto os danos nas brotações prejudicam a arquitetura e desenvolvimento das plantas. As características bioecológicas da mariposa oriental de multivoltismo (4 a 7 gerações por ano), elevada fecundidade e baixa preferência por hospedeiros alternativos associado a alta pressão de seleção, exercida pelo uso de inseticidas com o mesmo modo de ação, podem contribuir para a evolução da resistência de G. molesta a inseticidas nos pomares.

Mudanças na suscetibilidade de G. molesta a inseticidas já foram verificadas no Brasil para os grupos químicos organofosforados (Grupo 1B), benzoiluréias (Grupo 15), diacilhidrazinas (Grupo 18) e diamidas (Grupo 28). Para os organofosforados e diacilhidrazinas a sobrevivência de lagartas de G. molesta nas concentrações diagnósticas testadas foi inferior a 5% na safra 2010/2011. Apesar da baixa sobrevivência, há indicativos da ocorrência de seleção para a resistência por estes inseticidas em populações coletadas em Paranapanema (São Paulo/SP) e São Joaquim (Santa Catarina/SC). Essa informação é sugerida pelos produtores que, frequentemente, tem relatado baixa eficiência de controle de determinados inseticidas.

Devido a isso, programas de monitoramento da resistência visando detectar mudanças na suscetibilidade das populações de G. molesta são essenciais para prevenir e retardar a evolução da resistência aos inseticidas. Sendo assim, um projeto de pesquisa subsidiado pelo IRAC-BR e conduzido pelo Laboratório de Biologia dos Insetos da UFPEL em parceria com a Embrapa Uva e Vinho foi implementado com o objetivo de monitorar a suscetibilidade de populações de G. molesta oriundas das principais regiões produtoras de maçã e pêssego do Brasil. O projeto está sendo executado visando monitorar a suscetibilidade de populações de G. molesta durante as safras 2019/2020, 2020/2021, 2021/2022 e 2022/2023 aos inseticidas organofosforados, tradicionalmente utilizados para o manejo da espécie, e inseticidas mais recentemente registrados para a cultura da macieira como as diamidas, diacilhidrazinas, espinosinas e benzoilureias.

Os resultados obtidos a partir deste projeto fornecem informações para prover recomendações de manejo visando retardar a evolução da resistência e diminuindo o potencial de risco da praga no Brasil. A utilização de inseticidas com diferentes modos de ação para o manejo de G. molesta, mediante o uso somente quando o nível de controle da praga é atingido, associado com a utilização do emprego da técnica de confusão sexual são estratégias recomendadas para retardar a evolução da resistência de G. molesta aos inseticidas disponíveis para o seu controle.

 

Elaborado por: Prof. PhD Daniel Bernardi

Universidade Federal de Pelotas