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Percevejo-marrom, Euschistus heros

Comumente conhecido como percevejo marrom, Euschistus heros é uma espécie neotropical, amplamente distribuída na América do Sul e atualmente considerado como uma das principais pragas da soja no Brasil. Em soja, E. heros causa danos severos, principalmente nas estruturas reprodutivas da cultura através da sucção de compostos fotoassimilados nos grãos em formação e injeção de toxinas prejudiciais as plantas, causando redução na qualidade, produtividade e abortamento de estruturas reprodutivas.  Além da soja, esta espécie pode atacar o feijão, algodão, milho, girassol e diversas outras espécies vegetais, como as das famílias Fabaceae e Brassicaceae. Além de espécies cultivadas, pode se desenvolver em importantes ervas daninhas como Euphorbia heterophylla, Conyza spp e Acanthospermum hispidum. Nos últimos anos tem sido observada a presença e multiplicação da praga no campo por um período mais longo, apresentando altos níveis populacionais. Devido à importância dessa praga e sua dificuldade de controle, o IRAC-BR tem realizado o monitoramento da suscetibilidade de populações de percevejo-marrom a ingredientes ativos de três grupos distintos de modo de ação: Organofosforados (Grupo 1B), Neonicotinoides (Grupo 4A) e Piretroides (Grupo 3A).

Para a realização dos ensaios, foram coletadas populações de E. heros nas principais regiões produtoras de soja entre os meses de fevereiro a março de 2020. O método de ensaio utilizado foi do tipo ‘vial test’ com o produto técnico diluído em acetona, utilizando-se uma concentração diagnóstica com base na CL99 previamente estabelecida a partir de linhas básicas de suscetibilidade, para realizar o monitoramento. Os dados de mortalidade das populações oriundas de Rio Verde – GO, Paranapanema – SP, Chapadão do Sul – MS, Rio Brilhante – MS, Campo Verde – MT, Londrina – PR, Cafelândia – PR, Uberlândia – MG, Santa Maria – RS, Rondonópolis – MT e Luis Eduardo Magalhães – BA foram comparados com os dados de uma população suscetível de laboratório. As coletas e os ensaios foram realizados pela PROMIP.

​De acordo com os dados obtidos até o momento, as populações de Uberlândia – MG e Cafelândia – PR apresentaram sobrevivência acima de 20% para o Grupo 4A na concentração diagnóstico de 3,72 ppm, porém as populações de Rondonópolis – MT e Londrina – PR apresentaram sobrevivências dos percevejos, muito próximo a 20%, deixando essas regiões em estado de alerta com relação ao manejo da resistência. Na safra anterior, a população de Cafelândia – PR, já havia apresentado sobrevivência acima de 20% para a mesma concentração diagnóstico do mesmo ingrediente ativo do Grupo 4A, que pode estar relacionado ao número elevado de aplicações contendo esse ingrediente ativo, fato preocupante que demonstra a necessidade de realizar ações que promovam o manejo da resistência nessa região.

Já para os outros dois grupos (Grupo 1B e 3A) avaliados, todas as populações apresentaram alta mortalidade, demonstrando que esses ingredientes ativos ainda apresentam boa viabilidade no controle de E. heros. Contudo, é importante ressaltar que as boas práticas agrícolas e a rotação de diferentes táticas de controle, devem ser consideradas para que as populações possam se manter suscetíveis e as moléculas viáveis para o agricultor. Os resultados obtidos são fundamentais para o direcionamento e implementação de estratégias de manejo de resistência.

 

Elaborado por: Helvio Campoy e Mariana Durigan

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Comitê Brasileiro de Ação à Resistência a Inseticidas - IRAC-BR - 2020

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