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Percevejo-marrom, Euschistus heros

O percevejo-marrom, Euschistus heros, é um inseto sugador de hastes, ramos, vagens e plântulas, que pode atacar as culturas do algodão, milho e soja, causando redução de produção e abortamento de estruturas reprodutivas. Além disso, pode injetar toxinas na planta. Dentre as espécies de percevejos, E. heros é considerada a mais abundante e de maior dificuldade de controle nas lavouras de soja do Brasil, principalmente em regiões mais quentes. Nos últimos anos tem sido observada a presença e multiplicação da praga no campo por um período mais longo, apresentando altos níveis populacionais. Devido à importância dessa praga e sua dificuldade de controle, o IRAC-BR tem realizado o monitoramento da suscetibilidade de populações de percevejo-marrom a ingredientes ativos de três grupos distintos de modo de ação: Organofosforados (Grupo 1B), Neonicotinoides (Grupo 4A) e Piretroides (Grupo 3A).

Para a realização dos ensaios, foram coletadas populações de E. heros nas principais regiões produtoras de soja entre os meses de janeiro a abril de 2019. O método de ensaio utilizado foi do tipo ‘vial test’ com o produto técnico diluído em acetona, utilizando-se uma concentração diagnóstica com base na CL99 previamente estabelecida a partir de linhas básicas de suscetibilidade, para realizar o monitoramento. Os dados de mortalidade das populações oriundas de Rio Verde – GO, Paranapanema – SP, Chapadão do Sul – MS, Rio Brilhante – MS, Campo Verde – MT, Londrina – PR, Cafelândia – PR, Uberlândia – MG, Santa Maria – RS, Rondonópolis – MT e Luis Eduardo Magalhães – BA foram comparados com os dados de uma população suscetível de laboratório. As coletas e os ensaios foram realizados pela PROMIP.

​De acordo com os dados obtidos até o momento, as populações de Luís Eduardo Magalhães – BA, Rio Verde – GO, Cafelândia – PR e Paranapanema – SP apresentaram sobrevivência acima de 20% para o Grupo 4A na concentração diagnóstico de 3,72 ppm, fato que não foi observado na safra anterior e que pode estar relacionado ao número elevado de aplicações contendo esse ingrediente ativo. Já para os outros dois grupos (Grupo 1B e 3A) avaliados, todas as populações apresentaram alta mortalidade, demonstrando que esses ingredientes ativos ainda apresentam boa viabilidade no controle de E. heros. Contudo, é importante ressaltar que as boas práticas agrícolas e a rotação de diferentes táticas de controle, devem ser consideradas para que as populações possam se manter suscetíveis e as moléculas viáveis para o agricultor. Os resultados obtidos são fundamentais para o direcionamento e implementação de estratégias de manejo de resistência.

Elaborado por: Helvio Campoy e Mariana Durigan

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Comitê Brasileiro de Ação à Resistência a Inseticidas - IRAC-BR - 2020

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