Projetos

Falsa-medideira, Chrysodeixis includens

A lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens) é uma das principais pragas das culturas da soja e algodão no Brasil. O inseto polífago que ocasiona desfolha e a diminuição na produtividade. Uma das principais estratégias utilizadas para o seu manejo é a aplicação de inseticidas químicos sintéticos (controle químico). Porém, a utilização inadequada de inseticidas pode reduzir a suscetibilidade da espécie, devido à seleção de indivíduos resistentes.

 

Desde a safra 2013/14 a PROMIP tem conduzido projeto de pesquisa com o objetivo de caracterizar a suscetibilidade das populações de C. includens oriundas dos estados do Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia e Minas Gerais. Em 2018-2019, o Laboratório de Entomologia da Universidade Federal de Santa Maria deu continuidade ao projeto de pesquisa para direcionar, e avaliar as estratégias de manejo da resistência de C. includens no Brasil.

 

Monitoramento da resistência

Lagartas foram coletadas na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul e, em laboratório, expostas à doses diagnósticas de inseticidas com os seguintes modos de ação: desacopladores da fosforilação oxidativa (IRAC MoA 13); inibidores da biossíntese de quitina, tipo 0 (IRAC MoA 15); bloqueadores de canais de sódio dependentes de voltagem (IRAC MoA 22); e moduladores dos receptores de rianodina (IRAC MoA 28).

Os resultados indicaram que todas as populações da lagarta falsa-medideira foram suscetíveis aos inseticidas dos grupos (IRAC MoA) 13, 22A e 28, com base nas doses diagnósticas recomendadas pelo IRAC. Porém, com relação ao grupo (IRAC MoA) 15, as populações da lagarta apresentaram redução na suscetibilidade.

Com estes resultados, espera-se que haja um planejamento no uso de inseticidas para o controle dessa espécie nas culturas da soja e algodão. Para retardar a evolução da resistência a inseticidas recomenda-se que inseticidas com modo de ação distintos sejam utilizados em rotação visando o manejo proativo da resistência, de acordo com as recomendações de rótulo ou bula. Também recomenda-se seguir o esquema de “janelas de pulverização” (cada janela tem duração de ± 30 dias – período de uma geração da praga) para minimizar a exposição das gerações seguintes da praga a inseticidas com mesmo modo de ação. Outra ferramenta muito utilizada nas culturas da soja e algodão para o controle de C. includens são os cultivos Bts (Grupo11) e que também apresentam risco de perda de eficácia e desenvolvimento de resistência, assim recomenda-se o plantio de refúgio que é a principal medida a ser adotada se retardar tal processo. Sugere-se ainda evitar o uso de inseticidas que apresentam problemas de resistência e consultar especialistas locais para determinar quais inseticidas são afetados pela resistência, em sua localidade. A preferência deve ser dada a inseticidas não afetados por resistência.

Com a adoção dessas estratégias de manejo da resistência e a associação de outras práticas de manejo integrado de pragas (MIP), espera-se retardar a evolução da resistência da lagarta falsa-medideira aos inseticidas recomendados para o seu controle.

Elaborado por: Oderlei Bernardi

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Comitê Brasileiro de Ação à Resistência a Inseticidas - IRAC-BR - 2020

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