Resistência de insetos a inseticidas, manejo, rotação de modos de ação, plantas Bt e refúgio

Texto adaptado de Bueno et. al. 2022.


Mesmo com os avanços das estratégias no manejo de pragas, ainda há fatores que podem contribuir para a evolução da resistência de insetos aos inseticidas. Inicialmente os indivíduos resistentes ocorrem em baixa frequência dentro de uma população, mas a falta de adoção ou a adoção inadequada das práticas de manejo da resistência pode resultar na seleção dos insetos resistentes e favorecer a sobrevivência e multiplicação dos mesmos, com o passar das gerações. Lembrando que a resistência é uma característica genética que ocorre naturalmente em indivíduos de uma população de insetos. Isso significa que alguns indivíduos nascem com a condição de tolerar doses inseticidas que seriam letais para maioria dos insetos de determinada população.


Por isso a importância do Manejo da Resistência de Insetos (MRI). O MRI ajuda a retardar este processo de aumento da frequência de indivíduos resistentes nas populações de pragas agrícolas e faz com que as estratégias de manejo sejam eficazes por mais tempo. Na prática, o conjunto de MRI visa preservar as táticas de controle de pragas.


Uma das principais recomendações do manejo da resistência é a rotação de produtos com modos de ação distintos. Esta ação ajuda a evitar/retardar a seleção de insetos resistentes, mantendo a eficácia dos produtos ao longo do tempo.


No caso das plantas Bt, a principal estratégia para evitar/retardar a seleção de populações de pragas resistentes é a adoção do “refúgio estruturado”. Este por sua vez trata-se do cultivo com plantas não resistentes a insetos (plantas não-Bt), da mesma espécie e em localização adjacente ao de cultivo com plantas Bt que expressam a característica de resistência a insetos com ciclos compatíveis. Tem como objetivo a redução da pressão de seleção em favor dos insetos resistentes. Para isso, é necessária a presença de insetos que sejam suscetíveis à toxina Bt, cujos adultos possam cruzar com possíveis resistentes provenientes da área de cultivo Bt e, assim, originar insetos heterozigotos que são controlados pela planta Bt, quando desta se alimentarem. Portanto, não pode haver uso abusivo de inseticidas na área de refúgio.


Diante desse cenário, é fundamental que o manejo das áreas de refúgio seja realizado de acordo com os níveis de ação preconizados pelo MIP de cada cultura e em conjunto com as demais recomendações do MIP. Todas as táticas de controle de pragas são essenciais para a preservação das tecnologias utilizadas em campo e para a sustentabilidade da agricultura brasileira.



Fonte: BUENO, A. F. et al. Pragas resistentes. Revista Cultivar Grandes Culturas, n. 275, p. 26-28, abril de 2022.


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