Potencial de resistência da lagarta-do-cartucho a milho Bt piramidado

11/5/2016

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga da cultura do milho no Brasil. Possui mais de 100 plantas hospedeiras, dentre elas, tomate, sorgo e algodão. No milho pode causar danos nas espigas, nas inflorescências, nas folhas e nas hastes. Ataca a planta desde os estágios iniciais, podendo comprometer seu crescimento. O alto potencial reprodutivo, o ciclo biológico relativamente curto e a diversidade de hospedeiros (polifagia) favorecem o estabelecimento da lagarta do cartucho o ano todo.

 

Uma das ferramentas mais utilizadas para o controle dessa praga tem sido o uso de cultivares geneticamente modificados que expressam proteínas inseticidas produzidas pela bactéria Bacillus thuringiensis. Como as proteínas inseticidas são expressas durante todo o ciclo da planta, as pragas permanecem constantemente sob pressão de seleção e na ausência de um manejo correto, como a utilização de refúgio estruturado, pode levar à seleção de indivíduos resistentes. Esses indivíduos resistentes conseguem sobreviver à proteína expressa pela planta transgênica e deixar descendentes viáveis. Com a evolução da resistência, novas tecnologias têm sido desenvolvidas expressando mais de uma proteína Bt. Essas tecnologias são chamadas de Bt piramidado ou de segunda geração.

 

Assim como ocorre em cultivares que expressam apenas uma proteína, a lagarta do cartucho também pode resistir a mais de uma proteína simultaneamente, como no caso do milho Bt piramidado. Estudos recentes de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ/USP) comprovaram o potencial de evolução da resistência da lagarta do cartucho ao milho Yieldgard VT PRO, o qual expressa as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2.

 

A resistência da lagarta do cartucho ao milho Yieldgard VT PRO se mostrou autossômica (não associada ao cromossomo sexual ou DNA mitocondrial) e recessiva, ou seja, os descendentes do cruzamento de indivíduos resistentes com suscetíveis serão todos controlados pelo milho Bt. Esse resultado é de grande relevância para suportar a importância das áreas de refúgio (de pelo menos 10% da área de milho Bt e localizado a uma distância de no máximo 800 m de qualquer planta de milho Bt) para produzir indivíduos suscetíveis para acasalar com os indivíduos resistentes provindos da área de milho Bt. Mais detalhes relativos ao manejo da resistência da lagarta do cartucho do milho a inseticidas e tecnologias Bt podem ser consultados na página do IRAC Brasil (www.irac-br.org.br). 

 

 

Para saber mais:

Bernardi et. (2015)

Santos-Amaya et. (2015)

Recomendações do IRAC-BR e IRAC International

 

Foto: Sugayama (2016)

 

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